A SALVAÇÃO NÃO SE COMPRA!

 

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” – [Marcos 8:36].

 

Você já parou para pensar que, ao longo da vida, estamos constantemente realizando trocas de interesses? Se queremos comer uma banana, vamos ao mercado, examinamos o produto, verificamos se atende às nossas expectativas e, no caixa, entregamos uma quantia em troca daquilo que desejamos.

 

Na semana passada, minha filha viu, exposto em uma vitrine na internet, um pet belíssimo e delicado. Seus olhos brilharam, revelando o desejo de conquistar aquele ser tão pequenino no tamanho, mas tão grandioso em sua singularidade. E assim, frente a frente com seu proprietário, concretizou-se uma troca de interesses que lhe permitiu levá-lo para junto de si, com o propósito de compartilhar momentos, construir laços de afeto e viver ao seu lado até que a morte os separe.

 

Assim, fornecedores e consumidores movimentam a gigantesca roda da vida, cada qual buscando atender às suas necessidades e aos seus interesses.

 

Até mesmo nos relacionamentos encontramos compromissos que envolvem entrega, fidelidade, carinho e amor. Afinal, praticamente tudo na vida exige escolhas, responsabilidades e compromissos. Mas e no mundo espiritual? Muitos pensam que a salvação eterna é uma conquista humana, algo que se adquire por mérito ou esforço próprio. Entretanto, a Bíblia nos ensina que a salvação é um presente de Deus, recebido pela graça, mediante a fé, e não pelas obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9).

 

A salvação não está à venda, nem pode ser adquirida por meio de um contrato de licenciamento de marca, como acontece no mundo dos negócios. Para encontrá-la, precisamos ir diretamente à fonte: Jesus Cristo, que declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14:6).

 

Diante dEle, com os olhos cheios de lágrimas e o coração quebrantado, reconhecemos quem Ele é, arrependemo-nos dos nossos pecados e nos entregamos à Sua vontade. Não tiramos dinheiro da carteira para comprar a salvação; entregamos o coração Àquele que pagou o preço que jamais poderíamos pagar. Na cruz, Jesus consumou a obra da redenção, oferecendo-nos, por meio de Sua morte e ressurreição, a esperança da vida eterna.

 

A salvação não é um negócio que fazemos com Deus, mas um presente que recebemos pela fé em Jesus Cristo. Nossa resposta é o arrependimento, a entrega e uma vida transformada pela graça. Afinal, de que adianta conquistar tudo o que este mundo oferece e perder aquilo que é eterno? Jesus Cristo é o nosso maior tesouro, e somente nEle encontramos a verdadeira vida!

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 SE O SENHOR NÃO EDIFICAR A CASA!

 

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” — [Salmo 127:1].

 

Quando lemos este cântico de peregrinação, atribuído a Salomão, podemos ter a impressão de que há uma contradição. O salmista apresenta dois agentes envolvidos na edificação: o próprio Deus, Criador de todas as coisas, e o ser humano, um simples trabalhador. O mesmo princípio se aplica à proteção de uma cidade, na qual Deus é apresentado como aquele que a guarda, enquanto a sentinela permanece vigilante. Por que, então, o texto foi escrito dessa maneira?

 

O texto não apresenta dois edificadores em contradição, mas evidencia a relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana. Isso nos ensina que, em todas as coisas, devemos reconhecer nossa dependência de Deus, seja na construção de uma casa simples, seja na realização de um projeto grandioso. Independentemente da dimensão do empreendimento, a pergunta fundamental deve ser: “Deus está conosco e estamos permitindo que Ele dirija nossos passos?”

 

Deus não precisa do ser humano para realizar seus propósitos. Ele é poderoso e capaz de agir sem a nossa participação. Entretanto, em sua soberania, concede-nos responsabilidades e nos permite participar de sua obra. Isso se aplica especialmente àqueles que Ele capacita para cumprir as tarefas que lhes confia. Assim, não somos chamados à passividade, mas a trabalhar com diligência, reconhecendo que dependemos inteiramente do Senhor.

 

Diante disso, cabe uma pergunta: por que trabalhar como se fôssemos independentes de Deus, depositando toda a nossa confiança em nossa própria capacidade, se sabemos que não temos o controle absoluto dos resultados? Agir dessa maneira é correr o risco de dedicar a vida inteira a projetos que, embora bem-sucedidos aos nossos olhos, podem não corresponder aos propósitos de Deus.

 

Assim como, na construção civil, o trabalhador precisa seguir o projeto e as orientações do engenheiro responsável para que a obra seja executada adequadamente, na edificação espiritual precisamos da direção do Senhor. Mais do que desejar sua companhia, devemos submeter nossos planos à sua vontade, buscando sua sabedoria e obedecendo à sua Palavra.

 

Isso não significa que Deus nos poupará de todas as dificuldades ou que todo projeto realizado em seu nome terá o resultado que esperamos. Significa que nosso trabalho não deve ser conduzido com arrogância ou autossuficiência, mas com fé, obediência e dependência daquele que conhece todas as coisas.

 

Afinal, de que adianta levantar paredes se nos esquecermos daquele que deve orientar a construção? De que adianta vigiar uma cidade se depositarmos toda a nossa confiança na capacidade humana de protegê-la?

 

Que o Senhor nos ensine a trabalhar com responsabilidade, a planejar com sabedoria e a reconhecer, em cada etapa da caminhada, que nossos esforços não substituem sua direção. Pois, quando Deus está à frente, não significa que estaremos livres de lutas, mas que poderemos caminhar segundo sua vontade, confiando em sua sabedoria e em sua soberania.

Plínio Cavalheiro – capelão.

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