AUTOESCOLA X IGREJA

 

Um paralelo que nos faz refletir!

 

Antes de completar dezoito anos, meu grande anseio era tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Afinal, eu já dirigia desde os quatorze anos, embora sem autorização legal.

 

Assim que completei a idade esperada, procurei uma autoescola. Todo empolgado, disse que não precisava de aulas práticas, pois já sabia dirigir. Acreditava também que não teria dificuldades na prova teórica, uma vez que conhecia até mesmo a mecânica dos veículos.

Chegou o dia do exame prático, e passei sem dificuldades. Porém, na prova teórica, deparei-me com uma pergunta inesperada: “O que é motor?” Apesar de conhecer e até consertar motores, não soube responder. Resultado: fui reprovado!

 

A reprovação levou-me a estudar mais, até encontrar a definição que ficou gravada em minha mente e que nunca mais esqueci: “Motor é um conjunto de peças elétricas e mecânicas que, em funcionamento, produz a força motriz.” Essa experiência me ensinou que conhecer algo na prática não significa necessariamente saber defini-lo.

 

Isso me leva a perguntar: O QUE É IGREJA? Alguém poderia responder: “Igreja é igreja”. Mas essa resposta seria suficiente? Claro que não! A Igreja não é simplesmente um edifício, mas o povo redimido pelo sangue de Jesus Cristo, unido a ele como membros de um só Corpo, no qual cada um possui sua função e responsabilidade.

 

Paulo declara: “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.” (Romanos 12:5). Assim como as peças de um motor trabalham em conjunto para produzir a força motriz, os membros da Igreja devem cooperar para a edificação do Corpo de Cristo e para que o Evangelho alcance aqueles que ainda não conhecem a salvação.

 

Entretanto, há uma diferença fundamental: a Igreja não depende de sua própria capacidade, mas de Cristo, seu Cabeça, e da ação do Espírito Santo. Jesus declarou: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer.” (João 15:5).

 

Portanto, não basta fazer parte de uma igreja; precisamos compreender nossa função e cumprir a missão que Cristo nos confiou. E você, sabe qual é a sua função no Corpo de Cristo? Está cooperando para a edificação da Igreja e para que outras pessoas sejam alcançadas pelo Evangelho?

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 OS INVASORES DA MENTE

 

Protegendo a porta dos nossos pensamentos.

 

Vivemos em uma era em que utilizamos senhas para proteger contas bancárias, celulares, computadores, cofres e tantos outros bens contra invasores que procuram nos prejudicar. Por isso, somos orientados a criar senhas fortes, difíceis de descobrir, para aumentar nossa segurança.

 

Se temos tanto cuidado em proteger nossos bens materiais, quanto mais deveríamos nos preocupar em proteger a porta da nossa mente! Deus nos concedeu inteligência e discernimento para cuidarmos da nossa vida interior.

 

A Bíblia nos adverte: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4:23) Na linguagem bíblica, o coração representa o centro dos nossos pensamentos, desejos, intenções e decisões. Por isso, precisamos vigiar aquilo que permitimos entrar em nossa vida interior.

 

Paulo também escreve: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.” (Romanos 12:2). Nossa maneira de pensar precisa ser transformada pela Palavra de Deus, para que tenhamos discernimento e não sejamos dominados por influências que nos afastam do Senhor. A Bíblia nos alerta sobre o nosso adversário: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” (1 Pedro 5:8).

 

Diante disso, surge uma pergunta: como podemos proteger a porta da nossa mente? Assim como utilizamos senhas fortes para proteger nossos bens, precisamos permanecer firmes em Jesus Cristo, fundamentando nossa vida na Palavra de Deus, na oração e na ação do Espírito Santo. Cristo não é literalmente uma senha, mas é o nosso Salvador, Senhor e fundamento da nossa fé.

 

Paulo nos apresenta uma promessa maravilhosa: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7).

 

Portanto, não deixemos nossa mente vulnerável a influências nocivas. Vigiemos nossos pensamentos, fortaleçamos nossa fé e permitamos que Cristo transforme nosso interior. A melhor proteção para nossa mente é permanecer firmes em Cristo, guiados pela Palavra de Deus e atentos àquilo que alimentamos em nosso coração.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 JESUS NOS CURA PARA SERVIRMOS

 

“Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.” — [Mateus 8:14-15].

 

Esses dois versículos nos ensinam algumas lições importantes. A primeira é que Jesus não estabeleceu um ministério restrito a um endereço fixo, para onde as pessoas precisassem peregrinar em busca de sinais, prodígios e maravilhas. Seu ministério era dinâmico, e Ele ia ao encontro das pessoas em diferentes lugares, conforme nos mostram os Evangelhos.

 

Não era necessário que os enfermos aguardassem uma oportunidade previamente agendada para que Jesus pudesse alcançá-los. Ele se aproximava das pessoas com autoridade, compaixão e misericórdia, demonstrando, por meio de suas palavras e ações, o amor de Deus.

 

A segunda lição está na maneira como Jesus agiu ao chegar à casa de Pedro. Ele viu a sogra de Pedro acamada e ardendo em febre. Jesus não ignorou sua condição: aproximou-se, tomou-a pela mão, e a febre a deixou. A mulher foi curada e se levantou. Esse gesto nos revela a compaixão de Cristo diante do sofrimento humano e sua autoridade sobre as enfermidades.

 

Por fim, aprendemos que a mulher, depois de ser curada, imediatamente se levantou e passou a servir a Jesus. A Bíblia não especifica em que consistiu esse serviço, mas o mais importante, nessa passagem, é perceber que sua reação à cura foi colocar-se à disposição para servir.

 

Diante disso, cabe uma reflexão: será que também temos demonstrado gratidão a Deus por meio de nossas atitudes? Mais do que perguntar o que aquela mulher fez, devemos refletir sobre nossa própria disposição para servir Àquele que nos alcança com sua graça e misericórdia.

 

Que Jesus também nos cure de nossa acomodação espiritual, de nossa ociosidade e da procrastinação que tantas vezes nos impede de cumprir aquilo que Deus espera de nós. Que nos levantemos não apenas para celebrar as bênçãos recebidas, mas também para servir Àquele que nos amou primeiro.

 

Afinal, Jesus não nos chama apenas para receber suas bênçãos, mas também para viver uma vida de gratidão, dedicação e serviço ao seu Reino.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 A SALVAÇÃO NÃO SE COMPRA!

 

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” – [Marcos 8:36].

 

Você já parou para pensar que, ao longo da vida, estamos constantemente realizando trocas de interesses? Se queremos comer uma banana, vamos ao mercado, examinamos o produto, verificamos se atende às nossas expectativas e, no caixa, entregamos uma quantia em troca daquilo que desejamos.

 

Na semana passada, minha filha viu, exposto em uma vitrine na internet, um pet belíssimo e delicado. Seus olhos brilharam, revelando o desejo de conquistar aquele ser tão pequenino no tamanho, mas tão grandioso em sua singularidade. E assim, frente a frente com seu proprietário, concretizou-se uma troca de interesses que lhe permitiu levá-lo para junto de si, com o propósito de compartilhar momentos, construir laços de afeto e viver ao seu lado até que a morte os separe.

 

Assim, fornecedores e consumidores movimentam a gigantesca roda da vida, cada qual buscando atender às suas necessidades e aos seus interesses.

 

Até mesmo nos relacionamentos encontramos compromissos que envolvem entrega, fidelidade, carinho e amor. Afinal, praticamente tudo na vida exige escolhas, responsabilidades e compromissos. Mas e no mundo espiritual? Muitos pensam que a salvação eterna é uma conquista humana, algo que se adquire por mérito ou esforço próprio. Entretanto, a Bíblia nos ensina que a salvação é um presente de Deus, recebido pela graça, mediante a fé, e não pelas obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9).

 

A salvação não está à venda, nem pode ser adquirida por meio de um contrato de licenciamento de marca, como acontece no mundo dos negócios. Para encontrá-la, precisamos ir diretamente à fonte: Jesus Cristo, que declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14:6).

 

Diante dEle, com os olhos cheios de lágrimas e o coração quebrantado, reconhecemos quem Ele é, arrependemo-nos dos nossos pecados e nos entregamos à Sua vontade. Não tiramos dinheiro da carteira para comprar a salvação; entregamos o coração Àquele que pagou o preço que jamais poderíamos pagar. Na cruz, Jesus consumou a obra da redenção, oferecendo-nos, por meio de Sua morte e ressurreição, a esperança da vida eterna.

 

A salvação não é um negócio que fazemos com Deus, mas um presente que recebemos pela fé em Jesus Cristo. Nossa resposta é o arrependimento, a entrega e uma vida transformada pela graça. Afinal, de que adianta conquistar tudo o que este mundo oferece e perder aquilo que é eterno? Jesus Cristo é o nosso maior tesouro, e somente nEle encontramos a verdadeira vida!

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 SE O SENHOR NÃO EDIFICAR A CASA!

 

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” — [Salmo 127:1].

 

Quando lemos este cântico de peregrinação, atribuído a Salomão, podemos ter a impressão de que há uma contradição. O salmista apresenta dois agentes envolvidos na edificação: o próprio Deus, Criador de todas as coisas, e o ser humano, um simples trabalhador. O mesmo princípio se aplica à proteção de uma cidade, na qual Deus é apresentado como aquele que a guarda, enquanto a sentinela permanece vigilante. Por que, então, o texto foi escrito dessa maneira?

 

O texto não apresenta dois edificadores em contradição, mas evidencia a relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana. Isso nos ensina que, em todas as coisas, devemos reconhecer nossa dependência de Deus, seja na construção de uma casa simples, seja na realização de um projeto grandioso. Independentemente da dimensão do empreendimento, a pergunta fundamental deve ser: “Deus está conosco e estamos permitindo que Ele dirija nossos passos?”

 

Deus não precisa do ser humano para realizar seus propósitos. Ele é poderoso e capaz de agir sem a nossa participação. Entretanto, em sua soberania, concede-nos responsabilidades e nos permite participar de sua obra. Isso se aplica especialmente àqueles que Ele capacita para cumprir as tarefas que lhes confia. Assim, não somos chamados à passividade, mas a trabalhar com diligência, reconhecendo que dependemos inteiramente do Senhor.

 

Diante disso, cabe uma pergunta: por que trabalhar como se fôssemos independentes de Deus, depositando toda a nossa confiança em nossa própria capacidade, se sabemos que não temos o controle absoluto dos resultados? Agir dessa maneira é correr o risco de dedicar a vida inteira a projetos que, embora bem-sucedidos aos nossos olhos, podem não corresponder aos propósitos de Deus.

 

Assim como, na construção civil, o trabalhador precisa seguir o projeto e as orientações do engenheiro responsável para que a obra seja executada adequadamente, na edificação espiritual precisamos da direção do Senhor. Mais do que desejar sua companhia, devemos submeter nossos planos à sua vontade, buscando sua sabedoria e obedecendo à sua Palavra.

 

Isso não significa que Deus nos poupará de todas as dificuldades ou que todo projeto realizado em seu nome terá o resultado que esperamos. Significa que nosso trabalho não deve ser conduzido com arrogância ou autossuficiência, mas com fé, obediência e dependência daquele que conhece todas as coisas.

 

Afinal, de que adianta levantar paredes se nos esquecermos daquele que deve orientar a construção? De que adianta vigiar uma cidade se depositarmos toda a nossa confiança na capacidade humana de protegê-la?

 

Que o Senhor nos ensine a trabalhar com responsabilidade, a planejar com sabedoria e a reconhecer, em cada etapa da caminhada, que nossos esforços não substituem sua direção. Pois, quando Deus está à frente, não significa que estaremos livres de lutas, mas que poderemos caminhar segundo sua vontade, confiando em sua sabedoria e em sua soberania.

Plínio Cavalheiro – capelão.

  AUTOESCOLA X IGREJA   Um paralelo que nos faz refletir!   Antes de completar dezoito anos, meu grande anseio era tirar a Carteira Na...