FORA OS 7 ANOS!
“E disse-lhe: Todo homem põe
primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu
guardaste até agora o bom vinho.” (João 2:10).
Existe um conceito bastante
difundido, mas que considero equivocado, chamado “crise dos sete anos”. Segundo
essa ideia, ao chegar ao sétimo ano, o casamento estaria naturalmente sujeito a
conflitos, desentendimentos e desgastes que poderiam levar o casal à separação,
fazendo com que cada um procure a tão desejada “paz” em outro relacionamento.
É importante dizer que não
existe uma regra segundo a qual todo casamento enfrentará uma crise exatamente
no sétimo ano. O desgaste conjugal pode acontecer em diferentes fases da vida
e, muitas vezes, está relacionado não ao tempo de casamento, mas à maneira como
o relacionamento vem sendo conduzido.
Para mim, uma das
palavras-chave é desgaste. Pensemos em qualquer objeto que adquirimos.
Dependendo da maneira como é utilizado, da falta de cuidado, de ajustes e de
manutenção, seu tempo útil de funcionamento poderá ser reduzido
consideravelmente. Um equipamento bem cuidado pode durar muitos anos; outro,
utilizado de maneira inadequada e sem manutenção, poderá apresentar problemas
em pouco tempo.
Gosto muito de ferramentas.
Quando saímos para passear, enquanto minha esposa observa as vitrines,
encantando-se com vestidos, sapatos e bolsas, muitas vezes meus olhos procuram
uma loja de ferramentas. E, quando encontro uma, confesso que também fico encantado
diante de tantas variedades!
Tenho, entre tantas
ferramentas guardadas em casa, um alicate que tem mais de 50 anos e continua em
perfeitas condições. Talvez alguém me perguntasse: “Como isso é possível?” A
resposta é simples: eu cuidei dele. Nunca usei o alicate para substituir um
martelo. Ele sempre foi utilizado de acordo com a finalidade para a qual foi
criado. Além disso, recebeu os cuidados necessários para continuar funcionando.
Com o casamento deveria
acontecer algo semelhante. No início, tudo é novidade. A noiva chega vestida de
branco, com o melhor vestido, maquiagem impecável, sapatos escolhidos com
cuidado e acessórios combinando. O noivo também se veste elegantemente,
procurando impressionar primeiro a noiva e depois os convidados.
Mas o tempo passa. As coisas
produzidas pelas mãos humanas envelhecem. Muitas precisam ser substituídas ou
descartadas. No casamento, porém, deveria acontecer justamente o contrário:
quanto mais tempo passa, mais profundo, sólido, maduro e bonito o
relacionamento pode se tornar.
O problema não é o casamento
estar ficando velho. O problema é deixar de cuidar dele. Assim como não devemos
usar um alicate para aquilo que não foi criado para fazer, também não podemos
desvirtuar a finalidade do casamento. É preciso respeitar seus princípios,
compreender as responsabilidades de cada um, cultivar o diálogo, preservar o carinho,
exercitar o perdão e manter vivo o compromisso assumido.
Um casamento não se conserva
apenas porque um dia houve uma cerimônia bonita. Ele precisa de manutenção
diária. E aqui podemos voltar às bodas de Caná. Quando o mestre-sala provou a
água transformada em vinho, ficou admirado porque o que havia sido servido
depois era melhor do que aquilo que normalmente se oferecia primeiro. O texto
diz: “Mas tu guardaste até agora o bom vinho.” Que bela figura para o
casamento! Não precisamos acreditar que os melhores dias do casamento ficaram
para trás. Com cuidado, compromisso e a presença de Deus, os anos podem não
diminuir o valor da relação, mas aumentar sua qualidade.
O primeiro dia pode ter sido
marcado pela beleza da juventude, pela emoção e pelas novidades. Depois vêm os
anos compartilhados, as experiências, as lutas vencidas, os filhos, as
conquistas, as lágrimas, os recomeços e tantas histórias vividas juntos. Tudo
isso pode produzir algo que o tempo não destrói, mas aperfeiçoa: maturidade,
cumplicidade e um amor mais profundo.
Portanto, não precisamos ficar
presos à ideia de uma inevitável “crise dos sete anos”. Fora os sete anos! Que
o casamento não tenha como melhor fase apenas o começo, mas que possa, com o
passar do tempo, tornar-se cada vez melhor. Porque, quando há cuidado,
manutenção, propósito, compromisso e Deus no centro, o melhor vinho ainda pode
estar por vir!
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Qual é a principal lição da comparação com o alicate?
A) Toda ferramenta antiga funciona melhor que uma nova.
B) Aquilo que é bem cuidado pode durar e continuar cumprindo sua finalidade por
muitos anos.
C) Ferramentas devem ser substituídas depois de
sete anos.
D) O casamento deve funcionar como uma ferramenta.
Plínio Cavalheiro – capelão.

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