ENTRE O MILAGRE E A MURMURAÇÃO!

 

“Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Êxodo 15:23,24).

 

Se eu fosse escrever um livro, além da Bíblia Sagrada, que narra com perfeição a extraordinária jornada dos israelitas desde a saída do Egito até a entrada em Canaã, eu o classificaria como uma narrativa histórica permeada por profundas reflexões espirituais e lhe daria o título “Entre o Egito e Canaã”.

 

Meu propósito seria conduzir o leitor a uma verdadeira viagem no tempo, convidando-o a mergulhar nas páginas dessa história e a sentir-se parte de uma das mais fascinantes narrativas das Escrituras. Mais do que acompanhar os acontecimentos, o leitor seria levado a experimentar as emoções daquele povo: a alegria da libertação, o medo diante das dificuldades, a tristeza, a rebeldia, a esperança e a expectativa de alcançar a promessa de Deus.

 

Um dos aspectos mais marcantes dessa caminhada foi a constante murmuração do povo. Ela não surgiu por acaso. A murmuração nasce quando o coração permite que o descontentamento, a incredulidade, a impaciência ou a rebeldia ocupem o lugar da confiança. O mais grave é que, muitas vezes, o ser humano atribui a Deus a culpa pelas circunstâncias que enfrenta, esquecendo-se de tudo o que Ele já realizou.

 

Apenas três dias antes, os israelitas haviam testemunhado um dos maiores milagres da história: o Mar Vermelho se abrira diante deles, proporcionando-lhes livramento, enquanto o exército egípcio era destruído. Entretanto, bastou encontrarem uma fonte de águas amargas para que a gratidão desse lugar à reclamação. A dificuldade momentânea foi suficiente para obscurecer a memória dos grandes feitos de Deus, e, em vez de recorrerem a Ele em oração, procuraram alguém para responsabilizar por sua frustração.

 

Essa narrativa nos convida a uma sincera reflexão. Quantas vezes também nos parecemos com os israelitas? Depois de experimentarmos inúmeras bênçãos, permitimos que uma única adversidade domine nossos pensamentos e nos faça esquecer da fidelidade de Deus. Com facilidade nos lembramos das águas amargas de Mara, mas nos esquecemos do Mar Vermelho que Deus já abriu em nosso favor.

 

Que o Senhor nos conceda um coração grato, capaz de recordar diariamente os milagres que Ele já realizou, reconhecer aqueles que continua realizando e confiar, com esperança, nos que ainda realizará. Afinal, quem transformou as águas amargas de Mara em águas doces continua sendo o mesmo Deus que transforma a amargura das nossas circunstâncias em testemunhos de Sua doce graça.

 

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Se você estivesse entre os israelitas em Mara, qual acha que seria sua primeira reação?

A.      Confiaria que Deus faria outro milagre.

B.      Ficaria preocupado, mas oraria.

C.      Murmuraria como a maioria.

D.      Não sei como reagiria.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

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