O PECADO COMEÇA DENTRO DE NÓS: VIGIE O SEU CORAÇÃO!
A Bíblia diz, em 1 Pedro 5:8,
que o diabo, nosso adversário, anda ao nosso redor, como leão que ruge,
procurando a quem possa devorar. Diante dessa realidade, corremos o risco de
nos acomodar e manter nossos olhos voltados apenas para aquilo que vem de fora,
como se todo mal fosse uma ameaça externa que tenta penetrar em nossa mente.
Esquecemo-nos, porém, de que, muitas vezes, o pecado começa a ser gerado dentro
de nós, sem que tenhamos o devido discernimento para identificar e avaliar o
que está acontecendo em nosso interior.
Em Marcos 7:21-23, Jesus
declara: “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as
imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as
maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a
insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.”
Essas palavras de Jesus nos
levam a uma reflexão necessária: nem todo pecado pode ser atribuído
exclusivamente à ação direta do diabo, pois a própria natureza humana,
inclinada ao pecado, também é responsável por muitos dos nossos desvios. O
coração que não é examinado à luz da Palavra de Deus pode se tornar terreno
fértil para desejos, pensamentos e intenções que, se alimentados, nos conduzem
ao pecado.
Em determinadas situações, o
inimigo sequer precisa nos induzir diretamente a cometer um pecado; basta que
alimentemos nossos próprios desejos pecaminosos e deixemos de vigiar o que
cultivamos em nosso interior. Enquanto permanecemos distraídos, podemos acabar
cavando nossa própria sepultura espiritual, sem perceber que somos nós mesmos
que estamos segurando a pá.
O diabo não precisa,
necessariamente, nos levar de uma só vez a cometer aquilo que consideramos um
“grande pecado”. Afinal, muitas quedas começam com pequenas concessões,
pensamentos alimentados em segredo, desejos não combatidos e atitudes
aparentemente insignificantes. O perigo está em subestimar aquilo que, embora
pareça pequeno no início, pode crescer e produzir consequências devastadoras.
No livro Uma Vida com
Propósitos, de Rick Warren, há uma comparação que ilustra essa realidade:
chamar um pecado de “pecadinho” é como considerar insignificante uma gravidez
em seu estágio inicial. Quando uma mulher suspeita que está grávida, procura
confirmar essa possibilidade por meio de exames e orientação médica. Nos
primeiros meses, a gravidez pode não ser visível externamente, mas isso não
significa que ela não exista. Com o passar do tempo, as mudanças se tornam cada
vez mais perceptíveis.
De maneira semelhante, o
pecado pode começar com um pensamento, um desejo ou uma intenção que, a
princípio, parece inofensiva. Quando lhe damos espaço, porém, ele pode crescer,
influenciar nossas escolhas e, por fim, manifestar-se em atitudes concretas, trazendo
consequências dolorosas para nossa vida e para a vida daqueles que nos cercam.
É importante compreender que a
tentação, por si só, não significa que já pecamos. O perigo está em acolher,
alimentar e consentir com o desejo pecaminoso. Tiago 1:14-15 nos ensina que
cada pessoa é tentada por seu próprio mau desejo e descreve como esse desejo,
quando concebido, dá à luz o pecado.
Portanto, não espere que o
pecado se torne visível para reconhecer a necessidade de combatê-lo. Examine
seu coração, vigie seus pensamentos e submeta suas intenções à Palavra de Deus.
Se perceber os primeiros sinais de que está alimentando algo que pode afastá-lo
do Senhor, não adie sua decisão: corra para Jesus, confesse seus pecados, peça
perdão e busque nele forças para resistir à tentação.
Não espere que o pecado cresça
para só então combatê-lo. Leve a Deus aquilo que ainda está escondido em seu
coração, pois é muito melhor tratar a raiz do mal do que enfrentar os frutos
amargos que ele pode produzir.
Plínio Cavalhehiro - capelão.




