TODOS OS CRISTÃOS RECEBEM OS MESMOS DONS?
Não necessariamente. O
apóstolo Paulo afirma: “Porventura, são todos apóstolos? São todos profetas?
São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar?
Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” (1 Coríntios 12:29-30).
Paulo não faz essas perguntas
por desconhecer as respostas. Na realidade, trata-se de perguntas retóricas,
utilizadas para levar os leitores à reflexão e enfatizar uma verdade: “Nem
todos os cristãos recebem os mesmos dons espirituais, pois o Espírito Santo os
distribui a cada um conforme a sua vontade” (1 Coríntios 12:11).
Não é errado o cristão desejar
os dons espirituais ou buscá-los conforme a orientação das Escrituras. O
próprio Paulo incentiva os cristãos a procurarem os dons espirituais,
especialmente os que contribuem para a edificação da Igreja (1 Coríntios 12:31;
14:1). O erro está em acreditar que somos merecedores desses dons por causa de
nossas obras, de nosso conhecimento bíblico, de nosso tempo de conversão ou de
nossa conduta.
Os dons espirituais são
manifestações da graça de Deus. Não são uma recompensa automática por nossas
boas obras, mas são concedidos segundo a vontade e os propósitos do Espírito
Santo.
Nossa responsabilidade é
cultivar uma vida de comunhão com Deus, fé, esperança, perseverança, humildade
e obediência à Palavra. Essas atitudes não obrigam Deus a nos conceder
determinados dons, mas fazem parte de uma vida cristã madura, disposta a servir
ao Senhor e ao próximo.
Os dons variam de pessoa para
pessoa, conforme a distribuição realizada pelo Espírito Santo, e devem ser
exercidos para a edificação da Igreja e o bem comum (1 Coríntios 12:7).
O Espírito Santo distribui os
dons de acordo com a sua vontade e capacita cada cristão para cumprir a função
que lhe cabe no corpo de Cristo. Por isso, não devemos desejar um dom por
vaidade ou comparação com outras pessoas, mas buscar servir a Deus com fidelidade,
desenvolvendo e exercendo aquilo que Ele nos confiou.
O desejo de servir, a
disposição para aprender e o preparo para exercer um ministério são atitudes
importantes na caminhada cristã. Entretanto, não atraem nem obrigam Deus a
conceder determinado dom. É o próprio Espírito Santo quem decide como
distribuir os dons, segundo a sua soberana vontade, e cabe a nós exercê-los com
amor, humildade e responsabilidade.
Portanto, não recebemos os
dons espirituais porque somos merecedores, mas porque Deus, em sua graça e
soberania, os concede conforme a sua vontade e para a edificação da Igreja.
Plínio Cavalheiro – capelão.

















