TODOS OS CRISTÃOS RECEBEM OS MESMOS DONS?

 

Não necessariamente. O apóstolo Paulo afirma: “Porventura, são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” (1 Coríntios 12:29-30).

 

Paulo não faz essas perguntas por desconhecer as respostas. Na realidade, trata-se de perguntas retóricas, utilizadas para levar os leitores à reflexão e enfatizar uma verdade: “Nem todos os cristãos recebem os mesmos dons espirituais, pois o Espírito Santo os distribui a cada um conforme a sua vontade” (1 Coríntios 12:11).

 

Não é errado o cristão desejar os dons espirituais ou buscá-los conforme a orientação das Escrituras. O próprio Paulo incentiva os cristãos a procurarem os dons espirituais, especialmente os que contribuem para a edificação da Igreja (1 Coríntios 12:31; 14:1). O erro está em acreditar que somos merecedores desses dons por causa de nossas obras, de nosso conhecimento bíblico, de nosso tempo de conversão ou de nossa conduta.

 

Os dons espirituais são manifestações da graça de Deus. Não são uma recompensa automática por nossas boas obras, mas são concedidos segundo a vontade e os propósitos do Espírito Santo.

 

Nossa responsabilidade é cultivar uma vida de comunhão com Deus, fé, esperança, perseverança, humildade e obediência à Palavra. Essas atitudes não obrigam Deus a nos conceder determinados dons, mas fazem parte de uma vida cristã madura, disposta a servir ao Senhor e ao próximo.

 

Os dons variam de pessoa para pessoa, conforme a distribuição realizada pelo Espírito Santo, e devem ser exercidos para a edificação da Igreja e o bem comum (1 Coríntios 12:7).

O Espírito Santo distribui os dons de acordo com a sua vontade e capacita cada cristão para cumprir a função que lhe cabe no corpo de Cristo. Por isso, não devemos desejar um dom por vaidade ou comparação com outras pessoas, mas buscar servir a Deus com fidelidade, desenvolvendo e exercendo aquilo que Ele nos confiou.

 

O desejo de servir, a disposição para aprender e o preparo para exercer um ministério são atitudes importantes na caminhada cristã. Entretanto, não atraem nem obrigam Deus a conceder determinado dom. É o próprio Espírito Santo quem decide como distribuir os dons, segundo a sua soberana vontade, e cabe a nós exercê-los com amor, humildade e responsabilidade.

 

Portanto, não recebemos os dons espirituais porque somos merecedores, mas porque Deus, em sua graça e soberania, os concede conforme a sua vontade e para a edificação da Igreja.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 

 QUE IGREJA JESUS ESPERA ENCONTRAR?

 

“E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” [Atos 2:47].

 

O que você espera de sua igreja? O que está fazendo para que ela seja agradável aos olhos do Senhor? Quem é responsável pelo seu crescimento? Essas são algumas perguntas que, muitas vezes, fazemos no silêncio de nossas reflexões, cercados de dúvidas e inquietações que nos deixam desconfortáveis diante de tantas interrogações.

 

Não posso responder em seu nome, mas imagino que alguns, diante da primeira pergunta, diriam: “Espero que minha igreja cresça tanto que precisemos mudar para um espaço maior”. Outros, pensando no patrimônio, talvez respondessem: “Gostaria que o templo da minha igreja fosse o mais belo da cidade”. E assim ouviríamos inúmeras respostas.

 

Entretanto, a principal missão da Igreja não é acumular patrimônio nem simplesmente aumentar o número de membros, mas obedecer fielmente àquele que é seu Senhor e Noivo: Jesus Cristo. Jesus deseja encontrar uma Igreja vigilante, fiel e espiritualmente preparada. Na parábola das dez virgens (Mateus 25:1-13), apenas cinco estavam preparadas para a chegada do noivo. Aquelas que mantiveram suas lâmpadas abastecidas puderam participar das bodas, enquanto as demais ficaram de fora.

 

Essa parábola nos ensina sobre a importância da vigilância e da preparação espiritual para a volta de Cristo. Isso nos leva a uma reflexão: de que adianta uma igreja numerosa, com um templo majestoso, se lhe faltam fidelidade à Palavra, santidade e compromisso com Deus? O crescimento numérico é importante, mas não pode substituir a maturidade espiritual.

 

Jesus ordenou: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Ele não nos enviou apenas para encher templos, mas para anunciar a salvação e fazer discípulos comprometidos com Sua Palavra. Uma igreja saudável não é medida somente pela quantidade de pessoas que reúne, mas também pelos frutos espirituais que produz. Afinal, de que vale uma árvore frondosa se seus frutos não são saudáveis?

 

Nossa responsabilidade é semear a Palavra, cultivar, ensinar, discipular e cuidar daqueles que Deus coloca em nosso caminho. Entretanto, jamais podemos esquecer que o verdadeiro crescimento vem de Deus. Como declarou o apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6).

 

Portanto, façamos nossa parte com amor, dedicação e fidelidade, reconhecendo que é o Espírito Santo quem convence os corações e transforma vidas. Afinal, mais importante do que perguntar quanto nossa igreja está crescendo é perguntar se estamos crescendo espiritualmente e nos tornando a Igreja que Jesus deseja encontrar.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 O QUE MOVE SUA FÉ?

 

“Ora, a fé é o firme funda mento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” [Hebreus 11:1].

 

O que move um moinho? Basicamente, três fontes de energia podem fazê-lo funcionar: o vento, a água e a eletricidade. Cada uma delas, ao fornecer a força necessária, permite que o moinho cumpra seu propósito, transformando energia em trabalho e produzindo resultados que beneficiam o ser humano.

 

Mas, afinal, o que move a nossa fé? A verdadeira fé não é vazia nem se sustenta em uma simples afirmação religiosa. Nenhum cristão deveria dizer que tem fé apenas porque a igreja ensina que é necessário tê-la. A fé genuína possui um fundamento: Deus, Sua Palavra, Seu caráter e Suas promessas. Afinal, de que adianta professar uma fé que não se manifesta em confiança e obediência?

 

Imaginemos um exemplo: um casal decide enviar seu filho para estudar em um país distante. Embora não possa vê-lo pessoalmente todos os dias, sabe que ele existe e alimenta a esperança de seu retorno. A distância não significa inexistência, assim como a ausência da visão não significa ausência da realidade.

 

Com a fé acontece algo semelhante. Não vemos Deus com nossos olhos físicos, mas podemos conhecê-Lo por meio de Sua Palavra e reconhecer Sua ação em nossa vida. A fé não depende daquilo que os olhos conseguem enxergar, mas da confiança naquele que é fiel para cumprir Suas promessas.

 

A fé verdadeira nos impulsiona a enfrentar desafios, perseverar nas adversidades e esperar com confiança, mesmo quando as circunstâncias parecem contrárias. Ela não é a garantia de que tudo acontecerá conforme nossos desejos, mas a certeza de que Deus permanece fiel, independentemente dos resultados.

 

Afinal, a Bíblia declara: “Porque andamos por fé, e não por vista.” [2 Coríntios 5:7]. O moinho não precisa enxergar o vento para ser movido por ele. Da mesma forma, o cristão não precisa enxergar Deus para confiar em Seu poder. O vento move o moinho; a Palavra de Deus alimenta a fé, e a confiança em Suas promessas nos impulsiona a continuar caminhando, mesmo sem enxergar o que está adiante.

 

E você, o que tem movido a sua fé: aquilo que seus olhos veem ou aquilo que Deus prometeu?

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 QUANDO O POVO SABE ESCOLHER, A NAÇÃO PODE COLHER BONS FRUTOS!

 

“Quando os justos governam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, o povo geme.” [Provérbios 29:2].

 

Existem sofrimentos que fazem parte da própria condição humana e que nem sempre são consequências de nossas escolhas. Vivemos em um mundo marcado por enfermidades, tragédias e adversidades. O próprio Jesus nos advertiu: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33).

 

Entretanto, existem sofrimentos que são frutos de nossas próprias decisões, da desobediência e da insensatez. A Bíblia nos ensina: “Porque semeiam ventos e colherão tempestades.” (Oséias 8:7). E ainda: “Porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7).

 

Hoje é um dia especial! O povo é chamado a exercer um dos mais importantes direitos da cidadania: o voto! É tempo de reflexão, discernimento e responsabilidade. Cada voto representa uma semente lançada no solo da nossa nação, e as escolhas de hoje poderão produzir frutos que serão colhidos pelas próximas gerações.

 

Temos diante de nós o privilégio de escolher. Portanto, não vá às urnas apenas por obrigação ou por receio das consequências legais da ausência. Vá com consciência, convicção e amor à pátria! Não permita que interesses passageiros, emoções ou conveniências pessoais se sobreponham ao compromisso com a justiça, a verdade e o bem coletivo.

 

Antes de votar, peça a Deus sabedoria e discernimento. Ore para que Ele tenha misericórdia do nosso país e nos conceda a graça de fazer escolhas responsáveis. Quando um povo sabe escolher com sabedoria, não pensa apenas no presente, mas também no futuro das próximas gerações. Afinal, as escolhas de hoje ajudam a determinar os caminhos de amanhã.

 

Que Deus abençoe o Brasil! Que nossas escolhas sejam sementes de justiça, paz e esperança, e que nossa nação possa colher bons frutos!

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 O EQUILÍBRIO DA VIDA CRISTÃ

 

“Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados!” [Provérbios 4:26].

Quem entende um pouco de automóveis sabe da importância do alinhamento e do balanceamento das rodas. Esses procedimentos contribuem para a estabilidade do veículo, ajudam a evitar vibrações indesejadas, reduzem o desgaste irregular dos pneus e proporcionam mais segurança e conforto ao dirigir. Quando negligenciamos esses cuidados, os prejuízos podem aparecer tanto no funcionamento do veículo quanto em nosso bolso.

 

Assim também acontece com a nossa vida. Desde o início de nossa caminhada, precisamos aprender a viver de maneira equilibrada, administrando com sabedoria as responsabilidades, os relacionamentos, as emoções e as diversas situações que enfrentamos no dia a dia.

 

Assim como um automóvel necessita de manutenção periódica para continuar funcionando adequadamente, nós também precisamos avaliar constantemente nossa maneira de viver, corrigindo atitudes, revendo prioridades e buscando alinhar nosso comportamento à vontade de Deus.

 

Na vida cristã, porém, não dependemos apenas de nossos próprios esforços para alcançar esse equilíbrio. Precisamos da direção e da ação do Espírito Santo, que nos ajuda a discernir o que é correto, fortalece nossa fé e nos capacita a desenvolver um caráter cada vez mais semelhante ao de Cristo. É por meio da comunhão com Deus e da obediência à sua Palavra que aprendemos a caminhar com sabedoria.

 

A Bíblia nos orienta: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.” (Gálatas 5:16). Assim como o motorista precisa estar atento às condições do veículo, devemos estar vigilantes quanto à nossa vida espiritual. Não podemos permitir que as preocupações, os excessos, o orgulho ou os desejos desordenados nos afastem dos propósitos de Deus. Precisamos cuidar de nosso interior, reconhecendo nossas falhas e permitindo que o Senhor transforme nossas atitudes.

 

Alguém já disse que nem sempre encontramos as respostas nos extremos, mas muitas vezes no equilíbrio. Essa afirmação nos convida à reflexão, pois a sabedoria cristã exige discernimento, prudência e domínio próprio.

 

Entretanto, é importante compreender que equilíbrio não significa permanecer em cima do muro, evitando decisões ou aceitando indistintamente todas as opiniões. Tampouco significa buscar uma posição intermediária entre o certo e o errado. Há momentos em que precisamos tomar uma posição firme, mesmo que isso contrarie a opinião da maioria.

 

O verdadeiro equilíbrio cristão consiste em pensar e agir com sabedoria, discernindo cada situação à luz da Palavra de Deus. Significa saber quando falar e quando silenciar, quando agir e quando esperar, quando ser firme e quando demonstrar misericórdia. É buscar coerência entre aquilo que cremos, aquilo que ensinamos e a maneira como vivemos.

Nesse sentido, a Palavra de Deus nos aconselha: “Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.” (Tiago 3:17).

 

Esse ensinamento nos mostra que a verdadeira sabedoria não se manifesta em atitudes precipitadas, extremistas ou dominadas pelo orgulho, mas em uma conduta marcada pela pureza, pela moderação, pela misericórdia e pela fidelidade à verdade.

Também precisamos lembrar que equilíbrio não significa ausência de dificuldades, conflitos ou momentos de sofrimento. Significa aprender a enfrentá-los com fé, maturidade e dependência de Deus, sem perder de vista os princípios que devem orientar nossa vida.

 

Portanto, assim como cuidamos de um automóvel para que ele cumpra com segurança a finalidade para a qual foi projetado, devemos cuidar de nossa vida espiritual, emocional e relacional, procurando viver de acordo com os propósitos para os quais fomos criados por Deus.

 

Que o Senhor nos conceda sabedoria para corrigir nossos caminhos, discernimento para tomar decisões e domínio próprio para manter nossas atitudes em harmonia com a sua vontade.

 

Afinal, uma vida equilibrada não é aquela que nunca enfrenta trepidações, mas aquela que, mesmo em meio às dificuldades, permanece firmada em Deus e orientada pela sua Palavra


Plínio Cavalheiro - capelão.



 O COMODISMO ESPIRITUAL E A OMISSÃO DO TESTEMUNHO


 

“Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” [Atos 4:20].

 

O diabo sempre tentará convencer os cristãos de que nem todos são chamados a testemunhar o que Deus fez em suas vidas. Essa mentira pode gerar um sentimento de inferioridade e, ao mesmo tempo, alimentar o comodismo espiritual.

 

O comodismo espiritual, quando nos leva a negligenciar o próximo, pode tornar-se uma forma de omissão de socorro: cruzar os braços diante de alguém que necessita de ajuda.

Todo cristão salvo e regenerado por Cristo Jesus é chamado a testemunhar do evangelho, segundo a capacitação e a direção do Espírito Santo [Atos 1:8]. Nem todos exercem os mesmos dons ou ministérios, mas todos podem anunciar, por palavras e atitudes, as maravilhas que Deus realizou em suas vidas.

 

Somos chamados a estender a mão àqueles que estão naufragando no mar agitado deste mundo. Assim como Jesus estendeu a mão a Pedro quando ele começou a afundar [Mateus 14:30-31], também devemos socorrer os que precisam de ajuda, confiando no poder e na graça de Deus.

 

Temos uma mensagem de esperança a compartilhar: Jesus Cristo é o Salvador que resgata o pecador e lhe oferece vida nova. Nossa pregação não precisa ser repleta de explicações teológicas complexas, acompanhada de músicas emocionantes ou sustentada por argumentos científicos elaborados. Esses recursos podem ter sua utilidade, mas não substituem a centralidade do evangelho nem o poder de Deus para salvar.

 

Um testemunho sincero, por mais simples que seja, pode tocar um coração. Podemos dizer: “Um dia, eu também estava perdido, afundando no mar do pecado, mas Jesus me alcançou, transformou minha vida e me conduziu à segurança que somente Ele pode oferecer.”

 

Não nos calemos diante daqueles que precisam conhecer essa esperança. Que o nosso testemunho seja uma mão estendida, apontando sempre para Cristo, pois não fomos chamados para cruzar os braços, mas para anunciar Aquele que nos resgatou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9). “Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se é que podes fazê-lo” [Provérbios 24:11].

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 A SOBERBA ENFRAQUECE, A GRAÇA SUSTENTA!

 


“Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” [1 Pedro 5:5].

 

Quando Jesus escolheu os doze apóstolos, não buscou homens reconhecidos por sua força, ousadia ou posição de destaque. Chamou homens comuns, com limitações e falhas, para prepará-los para um novo propósito: anunciar o Reino de Deus e testemunhar o Evangelho.

 

Durante essa formação, Jesus ensinou-lhes que a verdadeira grandeza não está na busca por superioridade, mas no serviço humilde ao próximo. Afinal, declarou: “Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Mateus 20:26).

 

Deus continua nos ensinando a cultivar a humildade e a reconhecer nossa dependência dEle. Jesus afirmou: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3). Ser humilde não significa desprezar nossas capacidades, mas reconhecer nossas limitações e depender da graça divina.

 

A soberba, por outro lado, leva-nos a confiar excessivamente em nossa própria força e conhecimento, como se não precisássemos de Deus. Por isso, as Escrituras nos alertam: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10:12).

 

Quando reconhecemos nossas fraquezas e abandonamos a autossuficiência, aprendemos a depender do Senhor, encontrando nEle força para perseverar diante das adversidades. Paulo compreendeu essa verdade ao ouvir do Senhor: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9). Por isso, declarou: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Coríntios 12:9). E acrescentou: “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12:10).

 

Paulo não ensinou que a fraqueza, por si só, produz força, mas que o poder de Cristo nos sustenta em meio às nossas limitações. Portanto, não permitamos que nossas fraquezas nos afastem de Deus. Abandonemos a falsa valentia, a soberba e a autossuficiência, buscando a força que vem do Senhor. Afinal, “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6). O missionário Hudson Taylor, citado no livro Uma Vida com Propósito, de Rick Warren, afirmou: “Todos os grandes gigantes de Deus são pessoas fracas.”

 

A verdadeira força espiritual não está em negar nossas fraquezas, mas em reconhecer nossa dependência de Deus, permitindo que o poder de Cristo se manifeste por meio delas.

 

Plínio Cavalheiro – capelania.

 

 MENTE BLINDADA, CORAÇÃO ALINHADO COM DEUS

 

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” [Provérbios 4:23].

 

Os nossos pensamentos podem nos levar a lugares e situações inimagináveis. Sendo assim, precisamos disciplinar a nossa mente e examinar cuidadosamente as ideias que cultivamos, sejam elas quais forem.

 

Assim como o filtro de água de um bebedouro retém as impurezas presentes na água que passa pelos canos, também precisamos colocar um filtro em nossos pensamentos, a fim de eliminar tudo aquilo que é impuro e que pode contaminar a nossa alma. Dessa maneira, manteremos a nossa mente limpa e poderemos pensar e agir como servos leais a Deus, com um coração íntegro e uma conduta que lhe agrade.

 

Foi assim que Deus se referiu a Calebe: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá.” (Números 14:24).

 

Lamentavelmente, muitas vezes nos descuidamos do filtro de nossos pensamentos e permitimos que ideias negativas e impuras penetrem em nossa mente, comprometendo o nosso caráter. Aos poucos, esses pensamentos nos enfraquecem e nos levam a pensar e agir de maneira totalmente equivocada. Como consequência, até mesmo o serviço que prestamos a Deus pode ser contaminado por interesses pessoais, tornando-se uma forma de buscar vantagens próprias e de alimentar o exibicionismo, com o objetivo de chamar a atenção dos outros e conquistar sua admiração.

 

Entretanto, quando colocamos uma sentinela em nossa mente e vigiamos aquilo que permitimos entrar em nossos pensamentos, abrimos espaço para que a mente de Cristo se manifeste em nós. Assim, nossas intenções são purificadas, nossas atitudes passam a refletir o caráter de Jesus e o serviço que prestamos deixa de ser motivado pela vaidade e pelo desejo de reconhecimento, tornando-se uma expressão sincera de amor, humildade e fidelidade a Deus.

 

Plinio Cavalheiro – capelão.

 GRANDES PROPÓSITOS EXIGEM PROCESSOS

 

Pense em algo grandioso construído pela humanidade: a Grande Muralha da China, uma obra monumental construída e ampliada ao longo de séculos, cujo sistema de muralhas e ramificações ultrapassa 21 mil quilômetros; a Estação Espacial Internacional, uma das estruturas mais complexas já montadas pela humanidade, fruto da cooperação internacional; ou o Túnel da Mancha, com aproximadamente 50 quilômetros de extensão, que conecta a Inglaterra à França por baixo do mar. Poderíamos mencionar muitas outras realizações extraordinárias. No entanto, nenhuma delas surgiu instantaneamente. Todas exigiram planejamento, esforço, perseverança e tempo para que seus resultados se tornassem realidade.

 

Da mesma forma, o cristão precisa compreender que o cumprimento dos propósitos de Deus em seu ministério envolve tempo, dedicação, perseverança, amor e submissão à vontade divina. Não basta possuir dons, talentos ou grandes aspirações; é necessário permitir que Deus trabalhe em nosso caráter enquanto nos prepara para aquilo que nos confia.

 

A Bíblia nos ensina que há um tempo determinado para cada propósito (Eclesiastes 3:1) e que não devemos nos cansar de fazer o bem, pois colheremos no tempo oportuno, se não desfalecermos (Gálatas 6:9).

 

Portanto, não queira ser o maior pregador, evangelista ou líder do mundo, tentando alcançar o topo sem percorrer o caminho que conduz à maturidade. No Reino de Deus, não devemos buscar grandeza por ambição pessoal, mas fidelidade à vocação recebida. Antes de desejar reconhecimento público, precisamos desenvolver um caráter aprovado diante de Deus.

 

Assim como um grande edifício é erguido tijolo por tijolo, também o ministério é edificado diariamente por meio da oração, do estudo da Palavra, da obediência, do serviço e da fidelidade nas pequenas responsabilidades. Não tente pular etapas que Deus utiliza para moldar sua vida. Lembre-se de que até mesmo Jesus, em sua humanidade, cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lucas 2:52).

 

Não se preocupe em ser o maior; preocupe-se em ser fiel. Não busque atalhos para alcançar o reconhecimento; permita que Deus forme seu caráter durante o percurso. Afinal, no Reino de Deus, mais importante do que chegar rapidamente ao topo é permanecer fiel Àquele que o chamou.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

A FÁBULA DO SAPO E O PERIGO DO PECADO

 


Você conhece a história do sapo? Coloca-se um sapo em uma panela com água fria. Inicialmente, ele se sente confortável e permanece ali tranquilamente. Aos poucos, a temperatura da água começa a subir. Como o aquecimento acontece de maneira gradual, o sapo, supostamente, não percebe o perigo e não reage a tempo. Quando finalmente se dá conta de que a situação se tornou insuportável, já seria tarde demais para escapar.

 

Essa fábula é utilizada para ilustrar como uma pessoa, por descuido, pode se acomodar a situações prejudiciais que, gradativamente, a conduzem a um estado insustentável. Em muitos casos, a pessoa só percebe a gravidade da situação quando as consequências já são difíceis de reverter. Ela não teve o discernimento necessário para avaliar que aquilo que parecia inofensivo no início, como um pequeno pecado, poderia crescer e causar danos a curto, médio e longo prazo.

 

O pecado, ainda que aparentemente pareça frio e inofensivo em seu início, jamais deve ser tratado como algo estático ou inofensivo. Quando tolerado, pode ganhar espaço na vida de uma pessoa e comprometer sua comunhão com Deus, seu caráter e seus relacionamentos.

 

Na ilustração, o diabo é como aquele que controla o botão que aumenta a temperatura. Ele não se contenta em apenas chamuscar a pele; sua intenção é conduzir a pessoa a consequências cada vez mais destrutivas. Aquilo que parecia frio ou morno pode se transformar, metaforicamente, em água fervente, prejudicando a vida física, moral, social e espiritual.

 

Por isso, a Bíblia nos adverte: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Diante dessa advertência, precisamos tomar três atitudes:

 

Primeira: não nos deixarmos enganar pelo diabo, que é mentiroso e procura fazer com que o pecado pareça agradável, inofensivo e incapaz de produzir consequências.

 

Segunda: não permitir que pequenas concessões ao pecado se tornem hábitos que comprometam nossa vida espiritual. Precisamos vigiar, discernir o perigo e rejeitar aquilo que nos afasta da vontade de Deus.

 

Terceira: se percebermos que estamos nessa situação, devemos tomar a decisão de sair dela o quanto antes, buscando o auxílio de Jesus Cristo. Ele não deseja que sejamos dominados pelo pecado, mas que encontremos nele perdão, libertação e restauração.

Não espere que a água ferva para perceber o perigo! Vigie, resista ao pecado e permaneça firme na presença de Deus, pois aquilo que hoje parece insignificante pode produzir consequências dolorosas amanhã.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 “DONS E HABILIDADES: CADA UM TEM SEU PAPEL NO CORPO DE CRISTO”

 

Ao contrário do que muitos pensam, Deus não espera que façamos aquilo para o qual não fomos capacitados. Portanto, não se sinta frustrado ao perceber que seu irmão possui habilidade para realizar algo que você não consegue fazer com a mesma destreza. Isso não o torna inferior, pois cada pessoa recebeu capacidades e dons diferentes, que se complementam para o cumprimento dos propósitos de Deus.

 

A diversidade de dons e habilidades dentro da Igreja é essencial para que ela desempenhe seus ministérios de maneira eficiente e harmoniosa. Imagine se um grande investidor decidisse abrir uma enorme empresa e contratasse apenas funcionários capacitados para administrar suas finanças.

 

Certamente, esse empreendimento estaria fadado ao fracasso antes mesmo de abrir suas portas, pois lhe faltariam profissionais com diferentes aptidões para fazer a engrenagem funcionar adequadamente, cada um desempenhando sua função com competência.

 

Assim também deve acontecer na Igreja, o Corpo de Cristo. Ela não conseguiria cumprir plenamente sua missão se todos exercessem a mesma função, por exemplo, recepcionando membros e visitantes com cordialidade, enquanto outras áreas essenciais ficassem desassistidas.

 

É justamente a diversidade de dons, talentos e capacitações que faz a engrenagem funcionar de maneira harmoniosa. Quando cada pessoa reconhece suas habilidades, valoriza as capacidades dos outros e desempenha com dedicação a função que lhe cabe, o Corpo de Cristo cresce e cumpre seu propósito.

 

Não fomos chamados para fazer todos a mesma coisa, mas para contribuir, cada um à sua maneira, para a realização da obra de Deus. Afinal, no Corpo de Cristo, ninguém é dispensável, e cada membro tem seu valor e sua importância.

 

Infelizmente, em algumas igrejas, os dons parecem ter prazo de validade, determinado pela idade. Embora essa não seja uma realidade em todas as comunidades, há aquelas que, ao priorizarem o vigor e a capacidade intelectual dos mais jovens, acabam “aposentando” os membros idosos e, com eles, os dons que Deus lhes concedeu. A idade pode limitar algumas capacidades físicas, mas não anula os dons, a experiência nem a disposição de servir a Deus”.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 DEUS NÃO FAZ CÓPIAS: ELE CRIA VIDAS COM PROPÓSITO

 


Quando Deus decidiu criar o ser humano, não construiu um grande galpão para instalar maquinários que produzissem homens em série. Não somos produtos industrializados! Somos criaturas formadas pelas mãos do Criador, cada uma com características próprias, dotadas de uma individualidade que nos distingue uns dos outros.

 

Desde a criação, cada ser humano possui características particulares, que envolvem aspectos físicos, gostos, preferências e personalidade. Entretanto, há algo que nos une e que é fundamental: todos fomos criados por Deus para viver em comunhão com Ele e cumprir os propósitos para os quais fomos criados.

 

Lamentavelmente, o ser humano, no início da criação, escolheu desobedecer a Deus, e essa decisão trouxe consequências profundas para toda a humanidade, introduzindo o pecado e rompendo a comunhão que existia entre o Criador e a criatura.

 

Contudo, Deus, em Seu infinito amor e em Sua maravilhosa graça, providenciou o caminho para a reconciliação por meio de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do domínio do pecado e nos reconciliar com o Pai.

 

Por meio dessa obra redentora, somos chamados ao arrependimento, à fé e a uma vida de transformação, para que sejamos conformados à imagem de Seu Filho. Essa transformação não acontece por nossos próprios méritos, mas pela graça de Deus, mediante a ação do Espírito Santo em nós.

 

E, quando Cristo voltar, aqueles que Lhe pertencem terão a redenção plenamente consumada. Seremos transformados e viveremos para sempre com o Senhor, livres da presença do pecado. Não fomos criados para viver segundo o formato que o pecado impôs à humanidade, mas para sermos transformados, pela graça de Deus, à imagem de Jesus Cristo.

 

Que o Senhor nos ajude a compreender que, embora sejamos diferentes em nossas características individuais, fomos todos chamados a conhecê-Lo, amá-Lo e viver para a Sua glória. Amém!

 _______________________________________________________

Obs.: Crédito aos devidos autores. Alguns princípios deste texto têm como referência a obra Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren, cuja leitura recomendo.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 MINISTRO: AQUELE QUE SERVE!

 


“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, e o espírito vivifica.” [2 Coríntios 3:6].

 

Algumas pessoas, embora não todas, pensam equivocadamente que ser ministro significa ser apóstolo, pastor ou padre. Na realidade, o termo ministro está relacionado àquele que serve, ou seja, alguém que exerce uma função ou desempenha uma tarefa em benefício de outros. Nesse sentido, todos os cristãos são chamados a servir a Deus e ao próximo, de acordo com os dons e as responsabilidades que receberam.

 

Os cristãos não foram salvos para se acomodarem, sentados a uma farta mesa, esperando ser servidos com o que há de melhor, mas para serem transformados pela graça de Deus e capacitados pelo Espírito Santo a servir a todos quantos necessitam de auxílio. E oportunidades para isso não faltam! Basta considerarmos aqueles que ainda não receberam Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Além disso, nosso serviço também deve ser estendido aos irmãos na fé, demonstrando, por meio de nossas atitudes, a transformação que Cristo realiza na vida daqueles que lhe pertencem.

 

Paulo escreveu: “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias” (2 Coríntios 6:4). O verdadeiro ministro deve ser reconhecido como servo fiel de Cristo e despenseiro das verdades que Deus lhe confiou. Mais do que apenas anunciá-las com palavras, deve procurar colocá-las em prática no seu dia a dia, demonstrando, por meio de sua conduta, coerência entre aquilo que ensina e aquilo que vive.

 

Portanto, jamais devemos ostentar a condição de ministros como se fôssemos superiores aos outros por causa da função que exercemos na obra de Deus. Pelo contrário, devemos nos humilhar diante do Senhor, reconhecendo que é Ele quem nos capacita para servir. Assim, permitimos que Deus nos use como instrumentos em suas mãos, a fim de prestarmos bons serviços ao próximo e contribuirmos para a edificação da Igreja de Cristo.

Afinal, no Reino de Deus, a grandeza não está em ser servido, mas em servir, seguindo o exemplo do próprio Senhor Jesus.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 NOSSAS ESCOLHAS E ESTRATÉGIAS DETERMINAM NOSSO SUCESSO

 


Nossas escolhas e estratégias determinam, em grande medida, o nosso sucesso. Ninguém consegue prosperar na vida, seja material ou espiritualmente, sem decidir trilhar o caminho certo e agir da maneira adequada para alcançar seus objetivos. O pódio não é lugar para os indecisos, os acomodados, os inconstantes e os pessimistas. Ele é destinado àqueles que sabem o que querem e lutam para conquistar seus objetivos, ainda que o percurso seja doloroso e cansativo.

 

Mais do que isso, o pódio é alcançado por aqueles que mantêm a mente focada no objetivo, mesmo sabendo que existem centenas de outras pessoas competindo ao seu lado. Se, por um instante, o competidor desviar sua atenção do objetivo e permitir que o medo da derrota domine seus pensamentos, poderá comprometer seriamente seu desempenho e suas chances de vitória.

 

Assim também devemos agir em relação à grande corrida que temos diante de nós enquanto vivemos. A Bíblia compara a vida cristã a uma corrida que exige perseverança, disciplina e foco. O autor da Carta aos Hebreus nos exorta a correr com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:1-2).

 

O diabo, nosso adversário, procura nos atingir por meio de tentações, mentiras e pensamentos que podem nos afastar da vontade de Deus. Entretanto, é importante compreender que a tentação, por si só, não constitui pecado. Somos tentados, mas podemos resistir, buscando em Deus a força necessária para permanecer firmes. Como nos ensina Tiago 1:14-15, a tentação se relaciona aos desejos que nos atraem e, quando acolhidos e consumados, podem dar origem ao pecado.

 

O inimigo não precisa nos derrubar fisicamente para tentar nos fazer perder o rumo. Ele procura explorar nossas fraquezas, alimentar dúvidas, estimular o desânimo e nos induzir a escolhas contrárias à Palavra de Deus. Por isso, a batalha espiritual também envolve nossos pensamentos, nossas convicções e nossas decisões.

 

E qual é o antídoto para isso? Devemos resistir às tentações, rejeitar as mentiras do inimigo e ocupar nossa mente com aquilo que é verdadeiro, justo, puro e digno de louvor, conforme nos orienta Filipenses 4:8. Para isso, precisamos recorrer à Palavra de Deus, fortalecer nossa comunhão com Cristo e depender da ação do Espírito Santo.

 

Portanto, sempre que você se sentir tentado, não permita que pensamentos contrários à vontade de Deus dominem sua mente. Substitua as mentiras pela verdade da Palavra, o desânimo pela esperança, o medo pela confiança em Deus e a tentação pela decisão consciente de obedecer ao Senhor.

 

Lembre-se: a vitória na vida cristã não consiste em nunca enfrentar tentações ou dificuldades, mas em perseverar na fé, resistir ao mal e permanecer firme em Cristo. Afinal, não corremos essa corrida confiando apenas em nossa própria força, mas naquele que nos fortalece e nos conduz segundo a sua vontade.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 O PECADO COMEÇA DENTRO DE NÓS: VIGIE O SEU CORAÇÃO!

 


A Bíblia diz, em 1 Pedro 5:8, que o diabo, nosso adversário, anda ao nosso redor, como leão que ruge, procurando a quem possa devorar. Diante dessa realidade, corremos o risco de nos acomodar e manter nossos olhos voltados apenas para aquilo que vem de fora, como se todo mal fosse uma ameaça externa que tenta penetrar em nossa mente. Esquecemo-nos, porém, de que, muitas vezes, o pecado começa a ser gerado dentro de nós, sem que tenhamos o devido discernimento para identificar e avaliar o que está acontecendo em nosso interior.

 

Em Marcos 7:21-23, Jesus declara: “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.”

 

Essas palavras de Jesus nos levam a uma reflexão necessária: nem todo pecado pode ser atribuído exclusivamente à ação direta do diabo, pois a própria natureza humana, inclinada ao pecado, também é responsável por muitos dos nossos desvios. O coração que não é examinado à luz da Palavra de Deus pode se tornar terreno fértil para desejos, pensamentos e intenções que, se alimentados, nos conduzem ao pecado.

 

Em determinadas situações, o inimigo sequer precisa nos induzir diretamente a cometer um pecado; basta que alimentemos nossos próprios desejos pecaminosos e deixemos de vigiar o que cultivamos em nosso interior. Enquanto permanecemos distraídos, podemos acabar cavando nossa própria sepultura espiritual, sem perceber que somos nós mesmos que estamos segurando a pá.

 

O diabo não precisa, necessariamente, nos levar de uma só vez a cometer aquilo que consideramos um “grande pecado”. Afinal, muitas quedas começam com pequenas concessões, pensamentos alimentados em segredo, desejos não combatidos e atitudes aparentemente insignificantes. O perigo está em subestimar aquilo que, embora pareça pequeno no início, pode crescer e produzir consequências devastadoras.

 

No livro Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren, há uma comparação que ilustra essa realidade: chamar um pecado de “pecadinho” é como considerar insignificante uma gravidez em seu estágio inicial. Quando uma mulher suspeita que está grávida, procura confirmar essa possibilidade por meio de exames e orientação médica. Nos primeiros meses, a gravidez pode não ser visível externamente, mas isso não significa que ela não exista. Com o passar do tempo, as mudanças se tornam cada vez mais perceptíveis.

 

De maneira semelhante, o pecado pode começar com um pensamento, um desejo ou uma intenção que, a princípio, parece inofensiva. Quando lhe damos espaço, porém, ele pode crescer, influenciar nossas escolhas e, por fim, manifestar-se em atitudes concretas, trazendo consequências dolorosas para nossa vida e para a vida daqueles que nos cercam.

 

É importante compreender que a tentação, por si só, não significa que já pecamos. O perigo está em acolher, alimentar e consentir com o desejo pecaminoso. Tiago 1:14-15 nos ensina que cada pessoa é tentada por seu próprio mau desejo e descreve como esse desejo, quando concebido, dá à luz o pecado.

 

Portanto, não espere que o pecado se torne visível para reconhecer a necessidade de combatê-lo. Examine seu coração, vigie seus pensamentos e submeta suas intenções à Palavra de Deus. Se perceber os primeiros sinais de que está alimentando algo que pode afastá-lo do Senhor, não adie sua decisão: corra para Jesus, confesse seus pecados, peça perdão e busque nele forças para resistir à tentação.

 

Não espere que o pecado cresça para só então combatê-lo. Leve a Deus aquilo que ainda está escondido em seu coração, pois é muito melhor tratar a raiz do mal do que enfrentar os frutos amargos que ele pode produzir.


Plínio Cavalhehiro - capelão.

 

 TRANSFORMADOS PELA RENOVAÇÃO!

 


Certamente, você sabe o que significa a palavra metamorfose. Mas, se ainda não tem muita familiaridade com esse termo, permita-me apresentar uma breve explicação: a palavra tem origem no grego antigo e significa, literalmente, “transformação de forma”. Refere-se ao processo pelo qual um ser vivo passa por mudanças significativas durante seu desenvolvimento, adquirindo uma nova forma e uma nova condição.

 

Em nossa caminhada cristã, podemos utilizar a metamorfose como uma ilustração do processo de transformação espiritual que Deus realiza em nós. Assim como a borboleta passa por diferentes estágios de desenvolvimento, nossa vida também passa por mudanças à medida que somos moldados pela Palavra de Deus e renovados pela ação do Espírito Santo.

 

Ninguém contempla a beleza de uma borboleta sem considerar o processo pelo qual ela passou. Da mesma forma, a transformação de nossa vida não acontece, necessariamente, de uma só vez. Embora sejamos alcançados pela graça de Deus em um momento específico, nosso amadurecimento espiritual acontece ao longo da caminhada com Cristo. É um processo contínuo de aprendizado, renúncia, crescimento e transformação.

 

A Bíblia nos ensina que todos nós nascemos sob a realidade do pecado e necessitamos da graça e da salvação que vêm de Deus. Davi, no Salmo 51:5, reconhece a profundidade dessa realidade ao falar de sua condição pecaminosa. Contudo, essa passagem não deve ser entendida como uma afirmação de que somos pessoalmente culpados por um pecado cometido antes mesmo de nossas ações, mas como uma expressão da realidade do pecado que marca a condição humana.

 

É por meio de Jesus Cristo que recebemos a redenção e a oportunidade de uma nova vida. Seu sangue, derramado na cruz, representa o sacrifício que nos purifica do pecado e nos reconcilia com Deus. Quando depositamos nossa fé em Cristo, somos chamados a viver uma nova realidade: não mais dominados pelo pecado, mas comprometidos com uma vida de obediência e comunhão com o Senhor.

 

Essa transformação encontra uma expressão poderosa nas palavras do apóstolo Paulo, em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

 

Ser transformado pela renovação da mente significa permitir que a Palavra de Deus molde nossos pensamentos, corrija nossas atitudes, transforme nossos valores e nos ensine a viver de acordo com a vontade do Senhor. Não se trata apenas de uma mudança exterior, mas de uma transformação que começa no interior e se manifesta em nossas escolhas, em nosso caráter e em nossa maneira de tratar as pessoas.

Entretanto, precisamos compreender que essa caminhada nem sempre será fácil. Enfrentaremos lutas, provações e aflições. Jesus nos advertiu de que teríamos aflições neste mundo (João 16:33). Isso não significa que todo sofrimento seja enviado por Deus para nos transformar, nem que precisemos sofrer para merecer sua graça. Significa que, mesmo em meio às dificuldades, Deus pode nos sustentar, fortalecer nossa fé e produzir em nós perseverança e maturidade espiritual (Romanos 5:3-5; Tiago 1:2-4).

 

Assim como a borboleta passa por diferentes estágios até alcançar sua forma adulta, nós também somos chamados a crescer continuamente em Cristo. A comparação, porém, é uma ilustração: nossa transformação espiritual não é automática nem depende apenas do tempo ou das circunstâncias. Ela envolve a ação da graça de Deus, a obra do Espírito Santo e nossa resposta diária de fé, obediência e entrega ao Senhor.


Plínio Cavalheiro - capelão.

 TRANSFORMADO PELA VERDADE

 

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” [João 8:32].

 

Se fizermos uma viagem imaginária de volta ao passado, até os primórdios de todas as coisas, descobriremos a importância fundamental da Palavra de Deus. Tudo o que existe foi criado por Deus, mediante a Sua palavra: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles, pelo sopro da sua boca.” [Salmo 33:6].

 

Nós, que nos identificamos como cristãos, jamais poderíamos viver essa nobre condição sem a Palavra de Deus, que nos sustenta, ensina e direciona em todos os nossos passos. É por meio dela que conhecemos a vontade de Deus e somos conduzidos a uma vida de fé, obediência e transformação.

 

A Palavra de Deus é alimento para a nossa vida espiritual. Ela nos fortalece, amadurece a nossa fé e nos conduz à verdadeira sabedoria. Não se trata simplesmente de possuir uma inteligência natural que pode variar de pessoa para pessoa, mas de adquirir, pela graça de Deus, uma sabedoria que transforma nossa maneira de pensar, agir e viver.

 

A verdadeira sabedoria começa quando reconhecemos Deus como a fonte de todo conhecimento e entendimento. Por isso, precisamos alimentar diariamente nossa vida espiritual com a Palavra, permitindo que ela alcance nossa mente, nosso coração e nossas atitudes.

 

Quero convidá-lo a buscar essa verdade na fonte: a Palavra de Deus. Ame a Bíblia, leia-a com atenção, medite nela e permita que seus ensinamentos moldem sua vida. Como está escrito: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” [Salmo 1:2].

 

Quem conhece a Palavra conhece a verdade; e quem permite que a verdade de Cristo transforme sua vida experimenta a verdadeira liberdade.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

 ENVELHECER AO LADO DE JESUS

 


Alguns casais, ao se conhecerem ainda jovens, costumam dizer um ao outro: “Quero envelhecer ao seu lado”. Certamente, a intenção dessa frase é expressar o desejo de ter o máximo de comunhão possível, respeitar um ao outro, aprender juntos e, sobretudo, amar-se até o fim da vida.

 

Quando esses casais colocam esse propósito em prática, naturalmente seus hábitos, costumes e maneiras de pensar começam a se harmonizar. Com o passar dos anos, eles podem se tornar cada vez mais parecidos em alguns aspectos, sem, contudo, perder sua individualidade, sua personalidade e suas características próprias.

 

Algo semelhante deveria acontecer com todo aquele que decide seguir a Cristo e fazer parte de sua Igreja, apresentada nas Escrituras como a sua noiva. Não nos tornamos parte da Igreja de Cristo apenas para cumprir tarefas, exercer funções ou ocupar cargos dentro da comunidade cristã. Tampouco a vida cristã se resume às responsabilidades do lar, ao serviço na igreja ou às atividades que realizamos diariamente.

 

O relacionamento com Cristo vai muito além de simples tarefas, funções e compromissos. O mais importante de todos os nossos compromissos deve ser o desejo ardente de caminhar diariamente com Jesus, conhecê-lo, ouvi-lo, aprender com Ele e permitir que sua presença transforme nossa maneira de pensar, falar e agir.

 

É isso que encontramos no episódio de Maria e Marta. Enquanto Marta estava ocupada com os muitos afazeres, Maria escolheu assentar-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. E o próprio Senhor afirmou que ela havia escolhido “a boa parte” (Lucas 10:42). O texto não despreza o serviço ou as responsabilidades, mas nos ensina que nenhuma atividade deve ocupar o lugar da comunhão com Cristo.

 

Estar com Jesus, aprender dele e crescer em sua graça deve ser um dos nossos maiores objetivos. Quanto mais caminhamos com Cristo, mais somos transformados à sua semelhança. A vida cristã não consiste apenas em fazer coisas para Jesus, mas, antes de tudo, em viver com Jesus e permitir que Ele molde nosso caráter.

 

Rick Warren, em seu livro Uma Vida com Propósito, destaca a importância de nossos compromissos e escolhas para determinar a direção de nossa vida. Esse princípio nos leva a uma reflexão importante. Ele diz: “Digam-me com o que você está comprometido, e eu direi onde você estará em vinte anos”. Aquilo a que dedicamos nossa vida hoje contribuirá para definir quem seremos amanhã.

 

Por isso, como cristãos, precisamos estar verdadeiramente comprometidos com Jesus Cristo. Nosso objetivo não deve ser apenas conhecê-lo de ouvir falar, mas andar com Ele diariamente, aprender com seus ensinamentos e imitá-lo em nosso modo de viver.

 

Quanto mais tempo passamos com alguém que amamos, mais conhecemos seus pensamentos, seus valores e sua maneira de agir. Da mesma forma, quanto mais nos aproximamos de Cristo por meio da Palavra, da oração e da comunhão com Ele, mais nosso caráter deve refletir o seu.

 

Se decidimos caminhar com Jesus até o fim, precisamos desejar não apenas chegar ao destino com Ele, mas também nos tornar, ao longo da caminhada, cada vez mais semelhantes a Ele.

 

Afinal, o verdadeiro propósito de ser a noiva de Cristo não é simplesmente trabalhar para Ele, mas amá-lo, conhecê-lo, permanecer nele e viver de tal maneira que sua presença seja percebida em nossa vida.

 

Plínio Cavalheiro – capelão.

  TODOS OS CRISTÃOS RECEBEM OS MESMOS DONS?   Não necessariamente. O apóstolo Paulo afirma: “Porventura, são todos apóstolos? São todos pr...